Foi com incomensurável pesar que recebemos a notícia do falecimento de Sua Excelência Luísa Diogo, uma figura emblemática da política moçambicana. A sua dedicação ao serviço público, liderança e compromisso com o desenvolvimento do país são um exemplo inspirador para todos nós.
A perda de um ente querido deixa sempre um vazio, mais ainda quando a sua vida há muito saiu da esfera pessoal, passando a ser pertença de todos, com lugar de destaque no imaginário colectivo.
É neste sentido que o desaparecimento físico de Sua Excelência Luísa Diogo constitui uma perda indelével, especialmente para as áreas política, económica e social, assim como no impulsionamento das mulheres, que encontravam nela um exemplo na luta para a conquista do seu espaço nas diversas esferas da sociedade.
Figura incontornável tanto no panorama interno quanto externo, a sua visão e perspicácia fizeram com que se tornasse a primeira mulher moçambicana a desempenhar a função de Primeira-Ministra, de 2004 a 2010, onde o seu rigor técnico deixou marca, tendo inclusive sido considerada pela renomada revista Forbes uma das mulheres mais influentes do mundo e posicionada entre as 100 personalidades mais influentes pela também conceituada revista norte-americana Times Magazine.
É digno realçar que, durante o seu consulado como Primeira-Ministra, desempenhou papel crucial na estabilidade política e económica, com a implementação de reformas estruturantes que visaram a modernização da gestão financeira do Estado, melhoria do ambiente de negócios, reforço da transparência fiscal, construção de políticas públicas resilientes e inclusivas, além da sua dedicação à igualdade de género e empoderamento das mulheres.
E nos seus esforços de contribuir para um Moçambique cada vez melhor, deixou-nos a obra “A Sopa da Madrugada”, com um cunho didáctico, na qual narra a sua experiência de governação nos altos cargos do Estado, entre 1994 e 2009, dando-nos a conhecer, entre outros aspectos, os bastidores das opções, oportunidades e acções governativas, os desafios da reconstrução pós-guerra, a nova orientação económica, além da sua luta pela consolidação da emancipação da mulher.
Neste momento de profunda dor e consternação, queremos, além de chorar a sua morte, celebrar a vida de uma das filhas mais ilustres desta Pátria Amada.
Que a sua alma descanse em paz!
Maputo, 17 de Janeiro de 2026
Lúcia da Luz Ribeiro
Presidente do Conselho Constitucional
Last modified: Janeiro 21, 2026